Histórias da Gata Preta: de onde veio, para onde vai.

Quarta-feira, 03 de janeiro de 2018

Gosto de dizer – e isto já virou uma máxima pessoal – que viver é ter histórias para contar. Sempre gostei de histórias! Desde criança sou ávida por elas. Na fazenda dos meus avós maternos, nos cafundós do sertão do Piauí, onde passei boa parte da minha infância, nunca faltou quem as contasse. Toda noite juntava sempre um monte de gente na calçada da casa sede da fazenda e as histórias corriam soltas, debaixo daquele céu estrelado. Desde histórias de trancoso e ‘causos’ fantásticos de assombração até as coisas simples do dia a dia na roça. Quando o povo de fora ia-se embora pras suas casas, eu sempre pedia mais alguma pro pessoal da nossa. Com muita frequência, quando eu pedia, alguém se saía com uma espécie de parlenda que até hoje só vi por lá: – a história que eu sei é a da gata preta, quer que eu conte? Contarei! Quer que eu conte? A resposta vinha de imediato: – quero! Aí a pessoa falava – quero não é história, a história que eu sei é a da gata preta, quer que eu conte? Contarei! Quer que eu conte? Eu ou alguma outra criança dizia algo como – ô besteira! e a pessoa entrava novamente com – ô besteira não é história, a história que eu sei é a da gata preta… e por aí a coisa ia. Isso rendia choro, raiva, risadas… Tinha noite que ia longe… Eu ia dormir sempre com aquele gostinho de quero mais. E na noite seguinte tinha! Noites e noites seguidas, a mesma ladainha e nem uma história repetida. Que tempo, aquele!

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Já vão longe aqueles anos e eu continuo gostando de histórias. De todo tipo: lidas, faladas, encenadas, em forma de música… Aquela época boa deixou em mim esta marca, então eu leio, vejo filmes, ouço músicas… e vou colecionando referências num compartimento da memória – e hoje do notebook/smartphone – que batizei de Caderninho Azul (um dia eu conto a história dele). Além do mais, por gostar tanto de histórias, gosto de conversar fiado, também, e frequentemente, além das referências convencionais, pesco algumas de outras fontes. Às vezes uma palavra, uma frase, uma lição atual ou de muito tempo atrás, ditas por qualquer um que tenha dividido algum espaço/tempo comigo vem como um insight e vira logo uma crônica na minha cabeça. Minhas referências também são, assim, frutos de conversas cotidianas – pequenas fábulas da natureza humana que eu gosto de ouvir das pessoas e das quais aprendi a extrair, eu mesma, a moral. Acaba funcionando como uma brisa fresca na modorra do todo dia.

E este blog vai ser basicamente isto: pequenas histórias para a hora do recreio. As minhas, as que me contam, as que eu leio e vejo por aí… Vão aparecer outras coisas por aqui eventualmente: flores, fotografias, vinhos, música, receitas de comida… tudo o que faz parte da minha crônica pessoal, enfim! Será um espaço virtual com pretensão comercial zero, concebido apenas para falar de coisas que eu considero legais, compartilhar coisas boas etc, de uma maneira tão antiga quanto, para mim, prazerosa, que é escrevendo. Sem vaidade e simples assim! Muito provavelmente não vão haver atualizações muito frequentes porque meu mundo é a vida real e o tempo, essa fera que ruge no encalço de todos nós, mas vou levar como der. Quem sabe algum dia eu não consiga até despertar o gostinho de quero mais e tenha que dizer aquela antiga parlenda por aqui, também?

Assim começam hoje as histórias da gata preta.

* A concepção visual deste blog é toda creditada a Rodrigo Braga, que entendeu a idéia logo de cara e teve a paciência de me ensinar todo o bê-a-bá.

39 comentários em “Histórias da Gata Preta: de onde veio, para onde vai.

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  1. O texto é a cara da Lysia, que até já teve o apelido de onça pintada, por causa de um vestido. Mas, até que algo mude muito, roupas e acessórios correlacionados não são importantes para ela, que gosta mesmo é de narrativas e agora tem um espaço para compartilhar as próprias, tão legais. Sou irmão e suspeito, mas realmente sou fã dela e do que ela escreve, e vou segui-la aqui também.

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  2. Ansiosa pelas histórias e estórias da gata preta… algumas daquelas que ouvimos tantas vezes sentadas com um bom vinho, à base de simplicidade e na leveza de sempre (no falar e na escrita)! Sucesso! Não deixe esse espaço morrer, faça o compromisso com a posterioridade, e conosco que estaremos ansiosos pela próxima história. “Quer eu conte???” Contaaaaaaaa!!!!

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