Falando de flores e um pequeno paradoxo para a chuva

Sábado, 27 de janeiro de 2018

Choveu a madrugada inteira e eu me lembrei do Mário Quintana:

“Mas o que quer dizer este poema? – perguntou-me alarmada a boa senhora.
E o que quer dizer uma nuvem? – respondi triunfante.
Uma nuvem – disse ela – umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo”

Outubro é sempre um mês difícil por aqui! O calor intenso e a falta de chuvas leva a gente a ter vislumbres do inferno. É preciso arrumar um jeito de passar bem por ele, enquanto a água não volta a cair do céu! Cavucar a terra e mexer com flores às vezes ajuda, então eu resolvi, nesse mês, refazer os canteiros da entrada da minha casa. Eles têm que ser refeitos a cada dois anos, mais ou menos, dependendo do tipo de planta que tem lá.

Nesse ano resolvi plantar as vincas, por terem muitas variedades de cores e serem bem resistentes. Fiz tudo como sempre: Preparei a terra com adubo orgânico, sem nada químico, escolhi as mudas segundo o plano (uma muda da mesma cor, à direita e à esquerda, alternando com um par de espaços vazios, também a cada lado), comprei todas elas no mesmo dia, dei o tempo regulamentar de adaptação ao clima e plantei na lua crescente, como recomenda o manual das bruxas de jardim. Foram oito pares de cores bem alegres e vistosas, à exceção de um, cuja cor é bem escura, fechada e triste, e que eu coloquei entre as outras para lembrar que a vida não é só alegria. Deu um contraste legal.

Talvez só quem goste, ou quem já tenha praticado jardinagem alguma vez, vá entender a sensação boa que dá ver, a cada dia, o resultado do que você faz no seu jardim. Todos as manhãs, na saída pro trabalho da vida real, eu conferia uma por uma. À noite repetia o mesmo processo e regava. Como tenho TOC por simetria, fui podando cuidadosamente cada uma, para que o crescimento fosse mais ou menos igual dos dois lados. E foi aí que a aventura começou. Metade das plantas “pegaram” bem e cresceram normalmente. Da outra metade, três de um mesmo lado ficaram com as folhas de um verde bem clarinho, quase chegando ao amarelo, provavelmente por relação adubo/solo incorreta. Teve uma que enfraqueceu e murchou pouco depois de ter um galhinho quebrado. Outra morreu por falta d’água, num fim de semana em que eu viajei. E as duas representantes da tristeza murcharam e morreram quase ao mesmo tempo, talvez em consequência da própria essência delas, mesmo, sabe-se lá… E ainda teve uma outra que, para contrariar, ao invés de dar somente as flores cor de rosa que prometia, resolveu ser diferente e dar flor rosa em uns galhos e vermelha em outros. Corrigi, então, o adubo das amarelinhas e também substituí as que morreram, inclusive as tristes. As que ficaram fraquinhas estavam em franca recuperação. Já a que dá flor de duas cores, esta não tive como mudar – é um híbrido natural raro.

Depois de replantadas e corrigidas, estava tudo indo bem e elas estavam crescendo novamente, embora sem uniformidade. E foi então que chegaram as chuvas – o ponto vulnerável delas, quando pequenas – e o destroço foi geral. As que não morreram estão capengando e eu já comecei a replantar com outras flores.

Mesma espécie, mesmo local, mesmo substrato, mesma logística… e então entram em cena as diferenças individuais e as circunstâncias e contingências que fazem você ter que perseverar, readaptar, se conformar, recomeçar ou desistir. E ainda tem a chuva, que serve a tudo isso… Parece que as leis que regem o universo são as mesmas em todo campo e lugar. E o mundo gira e é redondo como um círculo.

Enfim, nada de muito relevante, só vontade de falar de flores, mesmo!

2 comentários em “Falando de flores e um pequeno paradoxo para a chuva

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